Como serão os plásticos do futuro?
2015-09-29
Marina Matos, Andreia Sousa, Armando Silvestre, Carla Vilela e Carmen Freire são autores do artigo em destaque na capa interior da Polymer Chemistry

Como serão os plásticos do futuro? Que fontes renováveis poderão ser usadas na produção de bioplásticos? Estas e outras questões pertinentes para o futuro do planeta Terra, onde os recursos fósseis escasseiam para produzir a panóplia de plásticos que usamos no dia a dia, foram respondidas por uma equipa de investigadores do CICECO/Universidade de Aveiro num trabalho de revisão publicado na Polymer Chemistry (Royal Society of Chemistry).

O artigo  que teve honras de contracapa na prestigiada revista, destaca o uso do ácido furanodicarboxílico (FDCA), obtido a partir de açúcares das plantas, para a produção dos plásticos do futuro.

“Desenvolver novos materiais plásticos de fontes renováveis e de uma forma que respeite o meio ambiente é um percurso determinante para o desenvolvimento sustentável da nossa sociedade”, aponta Andreia Sousa, a pós-doutoranda do CICECO que coordenou o estudo. Nesse sentido, o artigo Biobased polyesters and other polymers from 2,5-furandicarboxylic acid: a tribute to furan excellency dá ao leitor uma visão crítica sobre o uso do FDCA, sintetizado de açúcares de origem vegetal, na síntese de polímeros, em especial os poliésteres.

O trabalho, liderado pelos investigadores do CICECO Andreia Sousa, Carla Vilela, Carmen Freire, Marina Matos e Armando Silvestre, contou com a participação de Gert-Jan Gruter, CEO da empresa holandesa Avantium Chemicals BV, e de Ana Fonseca e Jorge Coelho da Universidade de Coimbra.

 

A bela adormecida acordou

 

cover_rz.asdad.png“A história do FDCA e do seu uso na síntese de poliésteres tem contornos semelhantes à história infantil da Bela Adormecida. Nesta história a famosa heroína acorda, após um sono que durou 100 anos, para o final feliz que já todos conhecemos”, conta Andreia Sousa. De facto, o artigo lembra que algo semelhante na história do FDCA e dos seus polímeros se passou, pois após décadas de esquecimento nos anais de química, o FDCA “acordou”, verificando-se hoje o aparecimento de um número cada vez maior de poliésteres, poliamidas e poliuretanos, todos potencialmente substitutos dos homólogos fósseis ou mesmo com propriedades melhoradas.

Nesta publicação, os investigadores relatam, ao pormenor, um caso de enorme sucesso da utilização do FDCA na síntese de poliésteres- o polietileno 2,5-furanodicarboxilato (PEF), homólogo do polietileno tereftalato (PET) de origem fóssil, e com aplicações tão vastas como garrafas de água, de bebidas alcoólicas ou de sumos. “Empresas como a Coca-Cola e a Danone, em consórcio com a Avantium, produzem-no já à escala piloto e pretendem torna-lo numa realidade comercial para breve”, garantem os autores.

“De uma perspetiva crítica é enfatizado muitos outros poliésteres (entre outros polímeros) que têm propriedades interessantes em termos de biodegradabilidade, comportamento térmico, desempenho mecânico ou então em que a sua síntese assenta nos princípios da química verde”, dizem os autores.

O trabalho de revisão inclui um número significativo de referências a artigos e a patentes, ilustrando bem o interesse que este tópico tem tanto na academia como na indústria. Contudo, até esta publicação, nada havia sido escrito revendo os polímeros com base no FDCA.

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