Desvendando bio-polietileno baseado em açúcar
2018-07-03
Estudo liderado por Andreia Sousa e Catarina Araújo explica a relação entre a estrutura e as propriedades do polietileno de 2,5-furanodicarboxilato (PEF).

Um trabalho de investigação do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro, sobre o polietileno de 2,5-furanodicarboxilato (PEF), polímero derivado dos açúcares das plantas, frequentemente referido como substituto do PET (polietileno tereftalato), foi selecionado para destaque na página web do "ISIS Neutron and Muon Source". Para além disso, este trabalho liderado pelas investigadoras Andreia Sousa e Catarina Araújo, foi ainda publicado na revista Macromolecules (DOI: 10.1021/acs.macromol.8b00192). Esta pode vir a ser uma via para revolucionar a indústria dos plásticos.

O uso sustentável de polímeros sintéticos é um dos maiores desafios da sociedade atual. Há, contudo, algumas vias de investigação que se posicionam como soluções possíveis. Destaca-se neste contexto o polímero derivado dos açúcares das plantas, o polietileno de 2,5-furanodicarboxilato (PEF), frequentemente referido como substituto do PET (polietileno tereftalato). O PEF tem sido figura central nesta linha de investigação do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro.

Esta equipa de investigadores do CICECO obteve acesso ao TOSCA, um instrumento de difusão inelástica de neutrões disponível no ISIS, para averiguar as diferenças estruturais entre o PEF e o seu análogo PET. O ISIS é uma megaestrutura de investigação com fonte pulsada de neutrões sediada no Reino Unido. É um dos principais centros mundiais de investigação nas ciências físicas e da vida, à qual podem aceder investigadores de todo o mundo através de concurso para atribuição de tempo de feixe de neutrões.

A análise permitiu explicar melhor a menor permeabilidade do PEF em relação ao PET, por exemplo, no que toca à passagem de oxigénio e dióxido de carbono e, portanto, permitindo no futuro quando aplicado em embalagens alimentares conservar melhor os alimentos. Estas superiores propriedades de barreira do PEF devem-se, de acordo com o estudo, à maior rigidez das suas cadeias poliméricas.

Este contributo permite entender melhor a relação entre a estrutura do polímero e as suas propriedades de barreira e assim desenhar novos plásticos sustentáveis "feitos à medida".

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