João F. Mano recebe Advanced Grant do European Research Council (ERC)
2020-03-31
Bolsa individual no valor de 2.5 milhões de euros irá financiar investigação de ponta na área da bioengenharia de tecidos humanos e biomateriais avançados.

João F. Mano, investigador no CICECO e professor catedrático no Departamento de Química na Universidade de Aveiro, acaba de lhe ver atribuído um dos mais prestigiados financiamentos a que um investigador pode aspirar a nível europeu.

Trata-se de uma Advanced Grant (bolsa avançada) do European Research Council (ERC – Conselho Europeu de Investigação), com o projeto intitulado REBORN: Full human-based multi-scale constructs with jammed regenerative pockets for bone engineering, ao qual foram atribuídos 2.5 milhões de euros.

Estas bolsas individuais são conseguidas após a participação em concursos extremamente competitivos, em que os critérios de avaliação se baseiam unicamente na excelência científica. A avaliação inclui a análise do currículo científico do investigador, que deve estar no topo dos investigadores a trabalhar na Europa, e também na excelência do projeto a executar, o seu grau de risco e a abordagem radicalmente inovadora nas fronteiras da ciência adotada no plano de trabalhos proposto. Mesmo recebendo candidaturas dos mais eminentes cientistas de europa, a taxa de sucesso de bolsas financiadas este ano foi inferior a 10%. Esta bolsa avançada foi a única, de entre as 185 aprovadas, atribuída a um investigador português ou a trabalhar em Portugal. 

Um feito notável e raro foi o desta bolsa avançada ser a segunda que João F. Mano conseguiu ver financiada, sendo que a primeira ainda está em execução. Adicionalmente, uma bolsa do ERC para prova de conceito (ERC-PoC) já havia sido atribuída em 2018. As bolsas ERC-PoC, apoiam atividades no estágio inicial de transformação de resultados obtidos por investigadores possuidores de bolsas ERC em propostas com potencial comercial, capazes de alcançar benefícios económicos ou sociais.

A ERC-AdG concedida permitirá, durante 5 anos, desenvolver trabalho na área da bioengenharia de tecidos humanos e biomateriais avançados, nomeadamente na criação de estratégias para a regeneração de tecido ósseo, que poderá ter impacto em casos de perda massiva ou fraturas extensas de osso. Uma das grandes inovações do projeto é a utilização de proteínas obtidas a partir de tecidos recolhidos durante o parto, e normalmente descartáveis, como a membrana amniótica e o cordão umbilical. Estas servirão de base para a construção de dispositivos altamente hierarquizados, desde a nano à macro-escala, com uma grande capacidade de gerar tecido ósseo mineralizado e promover a sua vascularização. Desses tecidos perinatais também será possível retirar células que desempenharão um papel fundamental na construção dos tecidos em laboratório. As células serão introduzidas dentro de pequenas “placentas” artificiais que, ao fornecerem sinais bioquímicos e mecânicos adequados, fomentarão a formação de micro-tecidos de forma completamente autónoma. A aglomeração dessas “bolsas regenerativas” de forma controlada no espaço permitirá o desenvolvimento de tecidos tridimensionais à escala dos defeitos ósseos reais, com grande precisão geométrica.

Para além das aplicações in vivo prevê-se que estes dispositivos inovadores possam também servir como modelos de doenças de dimensões e especificações semelhantes aos dos tecidos reais, a fim de testar novos fármacos e terapias, podendo assim ser vistos como alternativa aos ensaios com animais ou aos testes clínicos.

João Mano possui trabalho reconhecido internacionalmente no domínio do desenvolvimento de biomateriais e propostas de novos conceitos para aplicações biomédicas, em particular na área da Medicina Regenerativa, e dirige um dos grupos de investigação mais ativos na europa na área dos biomateriais e bioengenharia de tecidos humanos, o COMPASS Research Group: mais informações sobre a atividade do grupo podem ser consultados em http://compass.web.ua.pt/.

João Mano sente-se “extremamente honrado com este reconhecimento extraordinário, a pelo apoio de todos os membros do grupo” e afirma também que “Com esta bolsa, vemos assim reforçada a oportunidade de combinar investigação de base de elevado nível com soluções terapêuticas radicalmente inovadoras que poderão vir a ter impacto na qualidade de vida de pacientes”.

Quatro bolsas ERC no CICECO

Das candidaturas de 2019, para além desta bolsa avançada, também já haviam sido atribuídas 3 bolsas para investigadores do CICECO da Universidade de Aveiro: duas bolsas de consolidação (ERC-CoG) e outra bolsa de prova de conceito (ERC-PoC).

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