João Mano recebe segunda bolsa ERC PoC
2020-04-28
O projeto associado a esta bolsa Proof of Concept permitirá desenvolver micro-tecidos tumorais avançados para testar fármacos para doenças ósseas.

As bolsas ERC-PoC, atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), apoiam atividades no estágio inicial de transformação de resultados obtidos por investigadores possuidores de bolsas ERC em propostas com potencial comercial, capazes de alcançar benefícios económicos ou sociais. Com base nos avanços conseguidos a partir da bolsa avançada (ERC-AdG) ATLAS, o professor João F. Mano e a sua equipa afeta a este projeto, co-supervisionada pela Drª Catarina Custódio, trabalharão na validação e exploração comercial de uma plataforma sofisticada, baseada em hidrogéis que combinam biomateriais e células de origem humana, como modelos de doença, em particular o osteossarcoma.

O osteossarcoma é um tumor ósseo raro mas devastador, que afeta principalmente crianças, adolescentes e idosos. Este tipo de tumor é muito resistente às terapias atuais, sendo assim urgente encontrar tratamentos mais eficazes. Os modelos tumorais tridimensionais in vitro podem reproduzir aspetos relevantes do ambiente natural do tumor e ser utilizados para melhorar a previsão do desempenho de candidatos a fármacos anticancerígenos. O projeto ERC-PoC, designado por AMNIOGEL, usufruirá de uma verba de 150000€ para se focar no desenvolvimento de modelos de doenças, que poderão ser comercializados e usados como ferramentas para descoberta de novos fármacos, em particular para o desenvolvimento de terapias personalizadas na área das neoplasias ósseas. Uma novidade será a utilização de biomateriais obtidos a partir da membrana amniótica, e que demonstraram poder criar um microambiente adequado para a manutenção da cultura de diferentes tipos de células previamente encapsuladas.

Paralelamente, o projeto ATLAS prosseguirá com trabalhos mais fundamentais na área da engenharia de tecidos humanos, nomeadamente na criação de dispositivos “vivos” miniaturizados capazes de compartimentar uma série de ingredientes, incluindo diferentes tipos de células e biomateriais avançados, aptos para, de uma forma autorregulada, promover a formação de novo tecido funcional. Neste caso, espera-se que esta tecnologia possa servir, a mais longo prazo, para regenerar tecidos danificados.

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