João Rocha galardoado com o Prémio Luso-Francês de Química
2020-07-03
Notável trabalho no campo da síntese de sólidos porosos e das suas interfaces por RMN sólido, e fortes laços estabelecidos com os químicos franceses realçado pela SCF.

“É, obviamente, um grande prazer receber um prémio de carreira, como este, em particular por ser atribuído pela Société Chimique de France (SCF), uma das Sociedades Científicas mais importantes a nível mundial”. João Rocha, diretor do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro e professor da Universidade de Aveiro (UA), comenta assim a atribuição do Prémio Luso-francês em Química.

O Prémio foi instituído em 2018 pela SCF e Sociedade Portuguesa de Química, tendo este ano contado com um júri de reputados Químicos franceses. “Claro que o prémio é também de todos os numerosos colaboradores de muitos países, que tenho a honra de me terem acompanhado ao longo de 30 anos de investigação, nomeadamente os meus 28 alunos de doutoramento e 40 pós-doutorados”, afirma ainda o distinguido.

O investigador e professor do Departamento de Química da UA tem-se dedicado, especialmente, ao estudo dos materiais (nano)porosos a que alude a nota justificativa do prémio. Estes materiais possuem à escala atómica canais muito finos, apenas um pouco mais largos do que as moléculas pequenas, por exemplo as moléculas de água. São uma espécie de peneiros moleculares, que podem ensopar-se de água e secar-se completamente quando “espremidos” (aquecidos), ficando então sedentos e tornando-se ótimos adsorventes de outras moléculas. Encontram muitas aplicações na “vida real”, por exemplo na adsorção e separação de moléculas de diferentes dimensões, como catalisadores na indústria do petróleo, ou como permutadores de iões em detergentes.

Um certo silicato de zircónio nanoporoso desenvolvido no seu grupo de investigação encontrou (numa forma um pouco modificada) uma aplicação muito importante e inesperada como medicamento, já no mercado, explica João Rocha, para tratamento da hipercalemia, o excesso de potássio no sangue. Basta engolir cinco gramas de um pó branco com esta substância que, ao percorrer o trato gastrointestinal, absorve, como uma esponja, os iões potássio, sendo o material posteriormente excretado nas fezes.

“A síntese dos materiais nanoporosos, como este silicato de zircónio, é, na sua essência”, esclarece, “uma forma de croché molecular em que os átomos de silício são malhas que se entrelaçam com quatro outras malhas, os átomos de oxigénio, enquanto as malhas de zircónio se entrelaçam com seis malhas de oxigénio, todos formando em conjunto um cordão. Estes juntam-se e justapõem-se, originando um naperão perfurado”. A Ressonância Magnética Nuclear de sólidos, também referida na nota justificativa, é uma técnica sofisticada, muito útil para estudar a estrutura dos sólidos nanoporosos, entre outros problemas.

João Rocha, professor do Departamento de Química da UA, junta-se a Armando Pombeiro, investigador do Centro de Química Estrutural, do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, primeiro português distinguido com este prémio.

O prémio será entregue numa cerimónia oficial, durante o encontro da Société Chimique de France, de 28 a 30 de junho de 2021, em Nantes.

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