Isto está a aquecer: mapeada a temperatura no interior de células humanas
2020-09-15

Uma equipa de investigadores das universidades de Aveiro e Saragoça desenvolveu uma ferramenta única que permite mapear em tempo real a temperatura no interior das células. A tecnologia inovadora pode fornecer importantes contribuições em nanomedicina (diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas, por exemplo) referem os investigadores da Universidade de Aveiro (UA).

A temperatura desempenha um papel central na miríade de reações bioquímicas que regulam a vida. Por exemplo, a temperatura intracelular depende da atividade celular, incluindo a divisão celular, expressão genética, reações enzimáticas, e estados patológicos. As células desenvolveram mecanismos de termorregulação para neutralizar grandes mudanças de temperatura externa e para manter a temperatura corporal, um mecanismo intrínseco à célula que ainda não está totalmente compreendido.

Polymer nanocapsules embedding light-emitting centers were used to map the temperature inside human cells. Image Credits: Carlos BritesUm trabalho publicado (https://dx.doi.org/10.1021/acs.nanolett.0c02163) esta semana na prestigiada revista científica NanoLetters desenvolvido no âmbito do programa FET-Open NanoTBTech (www.nanotbtech.eu) relata o desenvolvimento de uma ferramenta única para o mapeamento, em tempo real, da temperatura no interior das células.

A publicação conjunta de investigadores do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro (UA), do Instituto de Ciência de Materiais de Aragão da Universidade de Saragoça, em Espanha, descreve nanotermómetros inovadores que consistem em nanocápsulas de polímero incorporando centros emissores de luz e a sua aplicação na determinação da temperatura de células humanas (linha celular MDA-MB468).

Os investigadores Carlos Brites e Luís Carlos, do CICECO, referem que foi adaptado um microscópio de fluorescência convencional que permite o registo em tempo real da emissão de luz das nanocápsulas, que é posteriormente convertida em temperatura do interior das células. “A nossa abordagem permitiu a observação de diferenças de temperatura entre diferentes regiões de células cancerígenas que podem atingir os 20 graus Celsius”, apontam os investigadores da UA.

“Estes resultados abrem novos caminhos para a compreensão detalhada dos gradientes térmicos dentro das células”, referem os investigadores, “contribuindo, assim, para uma melhor perceção do papel desempenhado pelos organelos celulares que são geradores de energia térmica (como a mitocôndria) nas funções celulares”. Por outro lado, como as células cancerígenas têm uma temperatura superior à das células saudáveis, esta nova técnica será muito útil no desenvolvimento de novas terapêuticas (como, por exemplo a hipertermia ótica ou magnética).

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