Nova Rede de RMN junta sete centros de investigação europeus e um americano
2020-11-06
Rede PANACEA permitirá o acesso trans-nacional de investigadores e técnicos da academia e das empresas às melhores infraestruturas europeias de RMN de sólidos.

O Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de Sólidos do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro e da Universidade de Aveiro (UA) acaba de ver financiado um projecto, que liga em rede sete centros europeus e um americano congéneres e duas empresas, intitulado “PANACEA: Pan-European Solid-State NMR Infrastructure for Chemistry-Enabling Access”. Em breve, será construído um novo edifício no campus para albergar todos os equipamentos de RMN do Departamento de Química.

“Mais um sucesso para a investigação que se realiza na UA e para os seus investigadores”, elogia Artur Silva, Vice-reitor para a Investigação, Inovação e Formação de 3º Ciclo da UA. “Este projeto premeia um conjunto de investigadores e uma área de investigação (RMN) que teve o seu grande impulso na UA no início dos anos 90, com a aquisição dos primeiros espetrómetros de alta resolução, primeiro o de solução e depois o de sólidos. Contudo, desde essa altura e com muito trabalho e esforço, pode agora o laboratório de RMN de sólidos da UA integrar esta rede europeia de excelência, que trará grande visibilidade internacional a este laboratório de RMN”, destaca o membro da equipa reitoral.

A investigação em RMN de sólidos tem, assim, três décadas de história na UA e a integração nesta rede europeia “confirma a excelência e a visibilidade internacional do laboratório do CICECO-UA”, afirma João Rocha, diretor deste laboratório associado da UA. Participam neste projeto os membros do Departamento de Química, João Rocha, Luís Mafra e Mariana Sardo.

Novo edifício para os equipamentos de RMN

A Rede PANACEA permitirá o acesso trans-nacional de investigadores e técnicos da academia e das empresas às melhores infraestruturas europeias de RMN de sólidos, estimulando a colaboração entre os laboratórios que a integram, e promovendo a geração de novo conhecimento e a inovação, explica o investigador e diretor. Os laboratórios de RMN de sólidos e de líquidos da UA fazem também parte da Rede Portuguesa de RMN (PTNMR), que reúne os principais centros nacionais da área. Esta Rede foi financiada pela FCT, o que permitiu à UA adquirir um dos poucos equipamentos de polarização nuclear dinâmica existentes na Europa, no valor de cerca de 2 M€. Recentemente, no quadro da PTNMR, o programa POCI (FEDER) co-financiou a construção de um edifício para albergar todos os equipamentos de RMN do Departamento de Química, que contou também com uma comparticipação muito relevante da Reitoria da UA. Este edifício, contíguo aos Laboratórios Tecnológicos, no campus de Santiago e ao lado do Departamento de Química, deverá estar concluído no Verão de 2021.

Para poder desenvolver, ou melhorar, materiais com as propriedades desejadas é essencial compreender a estrutura atómica de sólidos, por vezes, muito complexos, clarifica João Rocha. A RMN de sólidos é particularmente útil para este fim quando os materiais não são cristalinos, ou são desordenados ao nível atómico, como certos fármacos, compósitos poliméricos, materiais para baterias, ou catalisadores heterogéneos, diz ainda. A RMN de sólidos permite sondar a estrutura molecular dos materiais através de um fenómeno físico que tem origem nos núcleos de certos átomos. O mesmo fenómeno possibilita o registo de imagens médicas do interior do corpo humano através da técnica conhecida como Ressonância Magnética.

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