Investigadores do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro participam no Clara-Value, um projeto de inovação liderado pela Fabridoce – Doces Regionais que pretende transformar a clara de ovo, um subproduto da produção de Ovos Moles de Aveiro IGP, em novos materiais sustentáveis para embalagens alimentares.
Cofinanciado pelo COMPETE 2030, o projeto responde a um dos principais desafios associados à produção deste doce tradicional português. Sendo os Ovos Moles de Aveiro IGP produzidos exclusivamente a partir da gema de ovo, são geradas grandes quantidades de clara que permanecem sem valorização. O Clara-Value procura converter este subproduto numa matéria-prima de elevado valor acrescentado, criando benefícios económicos, tecnológicos e ambientais.
Assente nos princípios da bioeconomia, da economia circular e da sustentabilidade, o projeto pretende desenvolver alternativas de base biológica aos materiais convencionais utilizados em embalagens alimentares, promovendo a utilização eficiente de recursos e a redução do desperdício na indústria agroalimentar.
Entre os resultados previstos está o desenvolvimento de filmes transparentes de origem natural, biocompósitos reforçados com fibras de celulose, revestimentos funcionais para papel e produtos de celulose moldada com propriedades barreira adequadas ao contacto com alimentos. Estas soluções poderão ser aplicadas nas embalagens dos próprios Ovos Moles de Aveiro IGP, bem como noutras aplicações do setor alimentar.
Coordenado pela Fabridoce, o consórcio reúne entidades com competências complementares nas áreas da produção alimentar, ciência dos materiais, papel e bioplásticos. Além do CICECO e da Universidade de Aveiro, participam ainda a Biopol, o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel / The Navigator Company, a APOMA – Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro e a Derovo.
Segundo Rui Almeida, CEO da Fabridoce, o projeto demonstra que tradição e inovação podem caminhar em conjunto, através do desenvolvimento de soluções de embalagem alimentar de base biológica que promovam a circularidade, reduzam o desperdício e reforcem a competitividade da doçaria conventual portuguesa. O responsável destacou igualmente o papel do financiamento do COMPETE 2030 na criação de um consórcio capaz de transformar a clara de ovo, atualmente um subproduto pouco valorizado, numa oportunidade para desenvolver novos materiais, produtos e mercados.
Ao criar novas cadeias de valorização para a clara de ovo e substituir soluções convencionais de origem fóssil por materiais de base biológica, o Clara-Value contribui para uma indústria agroalimentar mais sustentável, eficiente e preparada para responder aos desafios da economia circular.
Com informações: https://portugal2030.pt/2026/07/23/projeto-clara-value-transforma-a-clara-de-ovo-em-embalagens-alimentares-sustentaveis/
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