No passado dia 24 de setembro, Françoise Kleinsorgen apresentou o seu trabalho no 33.º Congresso Anual da European Association for Osseointegration (EAO), que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa.
O trabalho integrou a categoria de investigação básica de um dos principais encontros científicos internacionais em implantologia oral. O resumo do trabalho foi publicado no suplemento do congresso na revista científica Clinical Oral Implants Research, editada pela Wiley (volume 37, número S31, secção de e-posters, pp. 44–325), disponível em https://doi.org/10.17605/OSF.IO/24EPH.
Durante o congresso, o tema foi discutido por pesquisadores renomados em implantologia oral e osseointegração das Universidades de Gotemburgo (Suécia), Katholieve Universiteit Leuven (Bélgica) e Universidade de Zurich (Suíca).
"Apresentar este trabalho num congresso desta dimensão e discuti-lo com investigadores que construíram a área da osseointegração foi uma oportunidade muito importante para a minha formação", afirma Françoise Kleinsorgen.
Apesar do alto índice de sucesso, falhas de implantes dentários são reportadas devido a aspetos multifatoriais relacionados aos implantes e ao paciente. Um dos fatores está relacionado a inflamações crónicas progressivas na região peri-mplantar, nomeadamente a peri-implantite, que resulta em perda de suporte ósseo e consequente da estabilidade do implante.
Atualmente, este tópico tem elevada relevância na área médica e motivou um estudo de investigação clínica realizado por Françoise Kleinsorgen, estudante de doutoramento e médica-dentista. O estudo clínico teve início no âmbito do projeto CELLMET-G12-CESPU-2025 (IUCS/CESPU), e tem continuidade no DEMaC e CICECO em cooperação com o iBiMED, Universidade de Aveiro.
A revisão sistemática recentemente publicada por Françoise Kleinsorgen, Júlio C. M. Souza e colaboradores, conduzida segundo as diretrizes PRISMA e com protocolo registado no PROSPERO, analisou estudos prévios indexados nas bases PubMed e Scopus, dos quais 7 estudos clínicos foram selecionados.
Os estudos selecionados revelam a presença de detritos de titânio em escala submicrométrica nos tecidos peri-implantares (Figura 1 e 2), embora a deteção dessas partículas dependa do método de microscopia utilizado.
Figura 1. Esquema do método clínico utlizado para coletar detritos e células na região peri-implantar.
Alguns estudos associaram as partículas de titânio ao estresse oxidativo e à ativação de citocinas pró-inflamatórias relacionadas à osteoclastogênese (isto é, RANKL/RANK/OPG) e de outros mediadores inflamatórios, como IL-1β, IL-6, TNF-α e PGE2 (https://doi.org/10.1186/s11671-026-04741-0).
Figura 2. Interação dos detritos submicrométricas libertados de implantes com as células dos tecidos circundantes.
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