A Universidade de Aveiro (UA) concluiu a fase de desenvolvimento técnico da Agenda Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal (ECP). Focada na resposta ao desafio global da neutralidade climática, a UA desenvolveu novas formulações industriais eco-sustentáveis e integrou soluções de Inteligência Artificial para a requalificação digital do setor, traduzindo um investimento elegível de um milhão de euros em inovação prática.
No âmbito do encerramento das metas operacionais da Agenda ECP, finalizadas a 30 de junho de 2026, a UA consolidou a sua participação neste consórcio setorial de 118 milhões de euros. Esta Agenda Mobilizadora, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), é liderada pela Vista Alegre Atlantis, S.A. e reúne 30 copromotores com o desígnio de acelerar a descarbonização industrial.
O trabalho desenvolvido pela UA foi liderado pelo Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (DEMaC). A investigação distribuiu-se por três linhas de ação (work packages) focadas na introdução de inovação prática na cadeia de valor do setor.
Sustentabilidade de materiais e otimização energética
No domínio da economia circular, sob a coordenação de João Labrincha e Paula Seabra, a equipa do DEMaC desenvolveu novas soluções para a valorização de resíduos industriais endógenos (gerados nas próprias empresas cerâmicas) e exógenos (provenientes de outros setores) como matérias-primas secundárias. O trabalho incidiu na identificação, caracterização e formulação de pastas cerâmicas sustentáveis aplicadas diretamente na produção de pavimentos, revestimentos, louça de mesa e sanitários. Esta abordagem minimiza a extração de recursos naturais sem comprometer a qualidade ou a estética do produto final.
Os ensaios, validados em ambiente piloto e semi-industrial, contaram com a colaboração ativa da Sanindusa, Mota Pastas e Revigrés, também copromotoras da Agenda. Conforme destaca a equipa responsável: “Esta colaboração foi determinante para aproximar a investigação científica das necessidades do setor e facilitar a futura adoção dos resultados pela indústria, demonstrando que a valorização de resíduos constitui uma solução tecnicamente viável para acelerar a transição para um modelo de economia circular”.
Já na vertente da eficiência energética, a equipa liderada por Augusto Lopes criou novas formulações de vidrados para louça sanitária, adaptadas a ciclos de cozedura com menor temperatura. O desempenho destas soluções foi comprovado através de testes em escala industrial real, demonstrando ser possível alcançar os padrões estéticos e funcionais exigidos, com uma redução direta do consumo de energia nos fornos e das emissões de gases com efeito de estufa.
Sustentabilidade digital e inteligência aplicada
A terceira linha de investigação concentrou-se na capacitação para mitigar o défice de mão-de-obra qualificada no setor, através da criação de uma Academia de Formação Digital e do espaço Ceramic Lab Factory. Sob a responsabilidade de João Labrincha e Paula Seabra, a UA assegurou o desenho pedagógico da formação avançada em Gestão Inteligente.
O projeto funcionou como uma plataforma de transferência direta de tecnologia, mobilizando de forma integrada docentes e investigadores do DEMaC, do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM), do CITIN e do IPL. Esta ação permitiu qualificar quadros técnicos e profissionais do setor na aplicação industrial de ferramentas de Inteligência Artificial e monitorização preditiva diretamente nas linhas de produção.
Saiba mais
Consulte o portal oficial da Agenda Ecocerâmica e Cristalaria de Portugal
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