Compreender os PFAS para proteger as pessoas e os bivalves: impacto, consequências e estratégias de mitigação

Descrição

Substâncias polifluoroalquil e perfluoroalquil (PFAS) já foram detetadas em sistemas aquáticos, espécies marinhas comestíveis, bem como em soro humano e leite materno. Os PFAS são bioacumuláveis e têm sido associados a diversos efeitos deletérios, incluindo efeitos cancerígenos, desregulação endócrina e neurotoxicidade. Adicionalmente, sabe-se que fatores relacionados com as alterações climáticas (AC) podem modificar o comportamento e as vias de exposição dos poluentes, resultando potencialmente num aumento da sua toxicidade. As zonas costeiras, em particular estuários e lagoas costeiras, são especialmente vulneráveis aos impactos das AC e a eventos extremos, como ondas de calor, tempestades e escoamento superficial associado, que podem aumentar de forma permanente ou episódica a carga de contaminantes e perturbar o equilíbrio entre variáveis-chave. As interações entre alterações abióticas relacionadas com o clima e os poluentes podem também modificar a sensibilidade dos organismos a estes fatores de stress, sendo esta uma questão ainda pouco investigada. No entanto, não existem estudos disponíveis sobre a influência destes fatores ambientais nos impactos tóxicos causados por PFAS na vida aquática e nos seres humanos.Considerando o elevado número de PFAS disponíveis no mercado e as lacunas de conhecimento sobre os seus efeitos tóxicos, especialmente em cenários climáticos projetados, o projeto UPS-STOP pretende: i) monitorizar as concentrações de PFAS e investigar os seus efeitos em quatro espécies de bivalves de relevância económica amplamente consumidas na dieta humana, estudando simultaneamente a influência de cenários futuros de AC na disponibilidade e toxicidade dos PFAS; e ii) avaliar a eficácia de possíveis estratégias de mitigação baseadas em óleos essenciais (OEs) como solução baseada na natureza, atuando como potenciadores da capacidade de desintoxicação, uma estratégia potencialmente aplicável também a seres humanos. O projeto UPS-STOP irá ainda monitorizar a exposição humana aos PFAS, avaliando as suas concentrações em soro sanguíneo na população residente na envolvente da Ria de Aveiro e identificando perfis metabolómicos que possam atuar como marcadores de exposição.

Coordenador

Rosa de Fátima Lopes de Freitas

Coordenação

Universidade de Aveiro (UA)

Financiadores

Sponsors
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