Não se preocupem com notas ou com a dificuldade de uma disciplina — escolham cursos que sejam realmente úteis.
Patrícia Domingues é doutorada em Engenharia Química pela Universidade de Aveiro. Com uma tese focada em bactérias produtoras de biosurfactantes a partir de sedimentos subaquáticos, Patrícia partilha o seu percurso desde uma das primeiras turmas de Biotecnologia na UA até uma posição sénior numa startup inovadora do Reino Unido — sempre guiada pela curiosidade, resiliência e uma sólida formação científica construída no CICECO e CESAM.
Jornada académica com CICECO e CESAM
Inscrevi-me no primeiro ano em que o curso de Biotecnologia abriu na UA, em 2006. Durante a licenciatura, ajudei a desenhar o logótipo do curso e fui a primeira estudante do programa a participar no Erasmus (fui para a Universidade de Pavia, em Itália). Continuei com o Mestrado em Biotecnologia Molecular na UA, uma vez que a vertente Industrial ainda não estava disponível na altura (novamente, o primeiro ano em que o mestrado foi oferecido). Realizei um estágio IAESTE no final do mestrado, no Paul Scherrer Institute, na Suíça.Iniciei o doutoramento em Engenharia Química, ramo Bioengenharia, no Departamento de Química e Biologia (CICECO e CESAM) em 2013, sob supervisão das Professoras Ângela Cunha (Biologia, CESAM), Luísa Serafim (Química, CICECO) e do Dr. Newton Gomes (Biologia, CESAM). Defendi a minha tese em 2018, intitulada “Sedimentos subaquáticos como fontes de bactérias facultativamente anaeróbias, hidrocarbonoclásticas e produtoras de biosurfactantes.”
Experiência em Aveiro
A minha experiência foi um pouco diferente da da maioria dos estudantes, porque sou natural de Aveiro. No entanto, só depois de me inscrever na UA é que descobri o local mais ventoso da cidade: o Campus da UA. Dito isto, as minhas memórias do tempo na UA e, particularmente, no CICECO são muito positivas. Durante o doutoramento, as instalações do CICECO onde trabalhei eram novas e sempre propícias à investigação. Gostei muito de trabalhar com a minha orientadora do CICECO, a Professora Luísa Serafim, que sempre me apoiou e demonstrou grande confiança em mim.Carreira após o doutoramento
Após concluir o doutoramento, trabalhei por um curto período com uma bolsa de investigação na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, até surgir uma oportunidade de pós-doutoramento na Universidade Católica do Porto. Durante o pós-doutoramento, fui contactada via LinkedIn por uma startup do Reino Unido que trabalhava com biosurfactantes (ingredientes ativos em detergentes, mas produzidos por microrganismos), o que parecia a continuação perfeita da minha investigação doctoral. Fiz as malas e estou agora na Holiferm há mais de seis anos.Competências e conhecimentos
Tive sorte em encontrar um trabalho que é a continuação perfeita do que investiguei no doutoramento: o desenvolvimento biotecnológico e aplicação de biosurfactantes de forma economicamente viável. Assim, a grande maioria do meu doutoramento é relevante para o meu trabalho atual, e foi diretamente por causa dele que a empresa me contactou.De forma mais geral, o conhecimento em química analítica e estatística é sempre útil em qualquer ramo da ciência. Em termos de competências interpessoais, o pensamento crítico e a resiliência são essenciais para uma carreira científica.
Ligações com CICECO e conselho para futuros doutorandos
Tenho ainda alguns amigos (antigos doutorandos do CICECO) a trabalhar na UA, embora já não estejam formalmente ligados ao CICECO. Mantenho uma boa relação com os meus antigos orientadores e sei que, caso surja a oportunidade, uma colaboração entre a empresa onde trabalho e o CICECO não estaria descartada.Não se preocupem com notas ou com a dificuldade de uma disciplina — escolham cursos que sejam realmente úteis (por exemplo, cursos que envolvam técnicas analíticas).
Não sejam perfeccionistas com a tese — confiem nos orientadores quando dizem que está pronta para ser entregue. Os resultados podem sempre ser publicados posteriormente.
Uma boa relação com os orientadores evita muitas dores de cabeça. Recomendo sempre conversar com potenciais orientadores antes de iniciar o doutoramento para perceber se existe boa química, e, se possível, falar com outros estudantes que trabalhem sob o mesmo orientador.

