
A honestidade e a transparência são essenciais para construir colaborações sólidas e alcançar o sucesso científico a longo prazo.
Filipa Vicente é Professora Auxiliar de Investigação no Instituto Nacional de Química (NIC), em Liubliana, Eslovénia, onde lidera o grupo de Engenharia de Processos e Produtos para a Indústria Farmacêutica e Alimentar, integrado no Departamento de Catálise e Engenharia de Reacções Químicas.
Início da carreira de investigação
Iniciei o meu percurso no CICECO em 2012, no âmbito do meu projecto de licenciatura, no grupo do Professor João Coutinho (PATh), trabalhando com o Professor Coutinho e com a Mara Freire no desenvolvimento de processos downstream mais sustentáveis. Este foi o primeiro momento decisivo da minha carreira. Durante este período, trabalhei de perto com o Jorge Pereira, então estudante de doutoramento, e com a Mara. Foi através desta experiência que tive o meu primeiro contacto com um ambiente real de investigação e que percebi que queria prosseguir os meus estudos académicos e realizar um doutoramento.
Após concluir a licenciatura e iniciar o mestrado, mantive-me activamente envolvida com o grupo PATh, inicialmente como voluntária e, posteriormente, no âmbito da minha dissertação de mestrado. Nesta fase, comecei a trabalhar com a Sónia Ventura e desenvolvi a minha tese de mestrado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (Brasil), em colaboração com o Professor Adalberto Pessoa Júnior. Seguiu-se uma curta bolsa de investigação num projecto nacional e, posteriormente, o meu doutoramento em Engenharia Química, sob a orientação da Sónia Ventura e do Professor João Coutinho.
Anos formativos em Aveiro
A minha experiência no CICECO foi verdadeiramente formativa, tanto a nível profissional como pessoal. Foi aí que construí as bases da minha identidade científica e adquiri valores que continuo a aplicar actualmente, incluindo ética de trabalho, profissionalismo, liderança, pensamento crítico e integridade científica. Aprendi também a importância da colaboração e do trabalho em rede, bem como a comunicar ciência de forma eficaz e a apresentar resultados de modo claro, rigoroso e impactante.
A nível pessoal, Aveiro tornou-se uma segunda casa. Construí amizades para a vida e ganhei aquilo que ainda hoje considero a minha família PATh. O ponto alto deste período foi o ambiente científico, a orientação e a amizade, começando pelo Professor João Coutinho, que se manteve como mentor e amigo, e estendendo-se ao Jorge, Mara, Sónia, Ana Paula, Mónia, Pedro, Tani e muitos outros que marcaram o meu desenvolvimento profissional e pessoal.
Carreira profissional em investigação
Ainda antes da defesa do meu doutoramento, já tinha assegurado o início da minha actual posição no Instituto Nacional de Química (NIC), onde comecei funções um mês após a defesa. Ingressei como Professora Auxiliar de Investigação e, dois anos depois, fui nomeada líder de grupo, com foco no desenvolvimento de processos downstream mais sustentáveis para a produção de compostos de elevado valor acrescentado, com aplicações em diversos sectores industriais, em particular na área alimentar, cosmética e farmacêutica.
Após seis anos de trabalho no NIC, foi-me oferecido um contrato permanente. Actualmente, para além de liderar o meu grupo de investigação, sou investigadora principal de vários projectos nacionais e internacionais, incluindo projectos no âmbito do programa Horizonte Europa, sendo igualmente responsável pela segurança laboratorial.
Uma carreira com competências transversais
O período passado no CICECO moldou de forma decisiva a minha ética de trabalho, o pensamento crítico, a integridade científica e as competências de liderança, que continuam a influenciar a minha abordagem à investigação. Aprendi também que a honestidade e a transparência, aliadas ao profissionalismo e ao trabalho em equipa, são fundamentais para construir colaborações sólidas e alcançar o sucesso científico a longo prazo.
Que conselho deixa aos futuros investigadores?
Não encarem o vosso doutoramento ou pós-doutoramento no CICECO apenas como um emprego. Esta experiência irá moldar-vos de formas que vão muito além das competências técnicas. Será exigente e haverá momentos em que vão querer desistir, mas a persistência faz toda a diferença. Desenvolve resiliência, autonomia e confiança. Acima de tudo, lembrem-se de que a ciência é um esforço colectivo. A vossa força é directamente proporcional à força das pessoas com quem trabalham, e irão sempre mais longe num ambiente amigável, acolhedor e positivo. Por fim, mas não menos importante, desfrutem do processo, e não apenas dos resultados.

A honestidade e a transparência são essenciais para construir colaborações sólidas e alcançar o sucesso científico a longo prazo.

